Cara, existe uma pergunta que separa quem entende Jiu Jitsu de quem não entende. E a pergunta é simples: você conhece Roger Gracie? Não de ouvir falar. De verdade. De saber o que ele fez, o que ele representa, e por que o mundo inteiro do Jiu Jitsu reconhece ele como o maior de todos.
Esse post é sobre a história de Roger Gracie, o atleta que colecionou 14 medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais, finalizou todos os adversários em um ADCC inteiro, e teve uma das rivalidades mais épicas que esse esporte já produziu. Vamos contar tudo. Assiste o vídeo primeiro:
A origem: um Gracie criado em Londres
Nome completo: Roger Gracie Gomes
Nascimento: 26 de setembro de 1981, Rio de Janeiro, Brasil
Família: filho de Reila Gracie (filha de Carlos Gracie, fundador do Jiu Jitsu Brasileiro) e de Maurição Gomes, grande competidor das décadas de 70 e 80, faixa preta graduado pela lenda Rolls Gracie
Só de olhar a linhagem você já entende de onde vem o talento. Do lado materno, neto de Carlos Gracie. Do lado paterno, filho de um dos melhores competidores da geração dele, formado por Rolls Gracie, que muita gente considera o maior Gracie que já existiu em termos de habilidade no tatame. Essa combinação genética, nas palavras de quem acompanhou de perto, resultou no maior competidor da história do Jiu Jitsu.
O início tardio e a decisão de competir
Como todo bom Gracie, Roger começou a treinar Jiu Jitsu na infância. Mas ao contrário do que você pode imaginar, ele não levava muito a sério no começo. O Roger de criança era o tipo do cara que treinava porque fazia parte da família, não porque queria ser campeão.
A mudança aconteceu no final da adolescência. Roger começou a gostar de verdade e passou a treinar bem mais sério. E a decisão definitiva de se tornar um competidor profissional veio depois de um período que ele passou treinando na academia de Rillion Gracie no Sul do Brasil, onde ele viu de perto o que o Jiu Jitsu de alto nível parecia e decidiu que era o que ele queria.
Logo depois, em 2000, Roger se mudou junto com o pai para Londres, onde Maurição era professor. E foi de Londres que Roger construiu uma das carreiras mais impressionantes do esporte.
A ascensão faixa por faixa
Roger não demorou pra aparecer no radar mundial. Em 2000, com 18 anos e ainda na faixa azul, ganhou o primeiro Mundial. Detalhe: o cara tinha acabado de começar a levar o esporte a sério há poucos anos. Isso já dizia tudo sobre o potencial que estava por vir.
Mesmo morando em Londres e longe do centro do Jiu Jitsu brasileiro, ele continuava vindo ao Rio periodicamente para treinar com o tio Carlinhos Gracie na sede da Gracie Barra. E os resultados apareceram na sequência:
- 2000: Campeão Mundial faixa azul
- 2001: Campeão Mundial faixa roxa
- 2002: Campeão Mundial faixa marrom, peso e absoluto
- 2003: Campeão ADCC no peso (ainda como faixa marrom)
- 2004: Recebe a faixa preta das mãos de Carlinhos Gracie
A faixa preta e o domínio absoluto nos Mundiais
Com a faixa preta veio o domínio que coloca o Roger numa categoria separada de qualquer outro atleta da história. Os números são simplesmente absurdos:
🏆 Títulos Mundiais na Faixa Preta
- 2004: Campeão Mundial faixa preta
- 2005: Campeão Mundial faixa preta
- 2006: Campeão Mundial faixa preta
- 2007: Campeão Mundial faixa preta, peso e absoluto
- 2008: Campeão Mundial faixa preta
- 2009: Campeão Mundial faixa preta, peso e absoluto
- 2010: Campeão Mundial faixa preta, peso e absoluto
10 medalhas de ouro em Mundiais como faixa preta. 14 ao total na carreira. E esse número só não é maior porque em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2008 ele foi prata no absoluto. Prata no mundial absoluto virou resultado “decepcionante” para o padrão do Roger.
Eu não estou listando aqui os Pan-Americanos, os Europeus, os Brasileiros. São títulos demais pra caber em um post.
🥋 Quer seguir os passos dos campeões que você admira?
Cara, todo faixa preta que virou referência no Jiu Jitsu passou pela faixa azul. E o que separa quem chega na azul de quem fica estagnado é simples: método. Foi pra isso que eu criei o GFA, o Guia Completo pra Faixa Azul. Raspagens, passagens, guarda, finalizações, costas. Tudo organizado na sequência certa, sem mistério. 1 ano de acesso pra consultar sempre que precisar.
O ADCC 2005: a façanha que ninguém repetiu
Se os Mundiais foram o domínio, o ADCC 2005 foi a façanha. E ela precisa ser contada com calma porque o que Roger fez ali não existe outro precedente na história do esporte.
Pra entender o contexto: o ADCC é o torneio mais difícil do Jiu Jitsu submission no mundo. É no-gi, sem pontuação nos primeiros minutos, regras que dificultam o jogo passivo. É onde os melhores grappler do planeta se reúnem de dois em dois anos pra decidir quem é o melhor. Ganhar o ADCC uma vez já é coisa de lenda.
Em 2005, Roger não só ganhou o peso como ganhou o absoluto. E a forma como ele ganhou é o que entra na história: Roger finalizou todos e cada um dos seus adversários no caminho. Nenhum deles chegou ao tempo. Nenhum escapou. Todos foram finalizados. Incluindo a final do absoluto contra o Ronaldo Jacaré, com um mata-leão.
Cara, isso é o equivalente a ganhar um torneio de xadrez vencendo todas as partidas por xeque-mate. Com os melhores do mundo do outro lado do tabuleiro. Sem exceção nenhuma.
A rivalidade épica com Ronaldo Jacaré
Pra falar do Roger você precisa falar do Jacaré. Porque eles protagonizaram a maior rivalidade da história do Jiu Jitsu. E quando eu digo maior, é no sentido de mais importante, mais técnica, mais intensa. Os combates entre eles são obrigatórios pra qualquer praticante sério.
Eles se enfrentaram 4 vezes. Duas vitórias para cada lado. Matematicamente um empate. Mas tatamisticamente, tem uma dessas lutas que se destaca acima de todas: a final do absoluto do ADCC 2005, onde Roger finalizou o Jacaré com o mata-leão. Foi a última luta de um torneio que Roger ganhou finalizando todo mundo. O ponto mais alto numa carreira cheia de pontos altos.
Essa rivalidade diz muito sobre o Jiu Jitsu da época. Os dois eram de estilos completamente diferentes: Roger com o jogo técnico e posicional, pesado, que parecia não ter pressa nenhuma porque sabia que ia finalizar mais cedo ou mais tarde. O Jacaré mais explosivo, atlético, com aquele jogo de raspagem e ataque constante. Quando os dois se encontraram no tatame, era inevitável que a coisa fosse épica.
A passagem pelo MMA e o UFC
Em 2006, Roger estreou no MMA. Já era esperado: era Gracie, era o melhor do mundo em Jiu Jitsu. A estreia veio com vitória, finalizando o veterano Ron Waterman com um armlock.
No total, Roger fez 8 lutas no MMA: 6 vitórias e 2 derrotas. A última aparição foi em 2013, no UFC 162, onde perdeu para o americano Tim Kennedy. Depois disso, o Roger se manteve mais fora do MMA e das competições de Jiu Jitsu ativas, vivendo em Londres e sendo referência no ensino da arte suave.
O MMA nunca chegou a ser o legado do Roger. O legado é o kimono, os tatames de Mundiais e ADCC, e os números que ninguém conseguiu sequer se aproximar de replicar.
Por que Roger Gracie é o maior de todos
Tem gente que discute o GOAT do Jiu Jitsu. Tem gente que coloca o Marcelo Garcia, o Gordon Ryan, o Mica Galvão. Cada nome tem argumento. Mas quando você coloca os números na mesa, a conversa começa e termina no Roger Gracie.
14 medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais. 10 delas na faixa preta. Campeão do ADCC duas vezes (2003 no peso, 2005 peso e absoluto). No ADCC 2005, finalizou todos e cada um dos adversários, algo que nenhum outro atleta conseguiu antes ou depois. Rivalidade com Jacaré: 4 lutas, 2 vitórias por lado, com a mais importante delas a favor do Roger. Isso é legado.
E o que torna o Roger ainda mais especial é o estilo. Ele não ganhava nos pontos. Ele pressionava, dominava posição e finalizava. Sem correria, sem fuga, sem jogar pelo relógio. Havia uma confiança absurda no jogo dele, como se ele soubesse que a finalização ia chegar e só estava escolhendo o momento certo.
Isso é raro. Ganhar muito é difícil. Ganhar muito e sempre tentando finalizar é de outro mundo.
🥋 O caminho pra faixa azul é o primeiro passo da jornada
Todo grande atleta do Jiu Jitsu, incluindo o Roger, começou com o básico. Com a guarda fechada, a raspagem, a passagem, a finalização. Foi construindo tijolo por tijolo. Se você tá nesse começo agora e quer ter clareza de onde ir, o GFA é o seu mapa. 1 ano de acesso pra consultar quando precisar.
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Me conta nos comentários: na sua opinião, qual foi o momento mais marcante da carreira do Roger Gracie? O ADCC 2005 com todas as finalizações, os 14 ouros no Mundial ou a rivalidade épica com o Jacaré?
Forte abraço, tamo junto. Muito Mais Ação Jiu Jitsu, muito mais Jiu Jitsu pra você. OSS!

