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Hora da Luta, por Luiz Dias




Sempre vou aos campeonatos para assistir meus alunos lutarem, eu aproveito e vejo muitas lutas, fico observando as reações dos lutadores e todos que estão ali envolvidos, professores, amigos, lutadores que lutaram e os que irão lutar. Uma coisa eu percebo, que existem lutadores focados só no momento da luta. E acho excelente, nem olham para o público e outros que parecem não saber o que fazer, obedecem ou tentam seguir as orientações que recebem do “corner”. Vejo pessoas que torcem, vibram com os seus atletas e outros que gritam ordens e reclamam das ações dos seus lutadores ou dos oponentes. É um assunto polêmico, dar ou não instruções, são muitas as emoções na hora da luta. Eu particularmente, não gosto de ficar gritando o que fazer, prefiro falar com ele na hora do treino na academia. Dentro do ringue, só o lutador sabe como está seu próprio aeróbico, sua força física. Por vezes o ângulo de visão não mostra a real situação dos lutadores com suas pegadas e ganchos. E sem contar que a sua estratégia pode ser a mais acertada do que gritam para fazer.
Na hora da luta, do combate propriamente dito, eu vejo como um momento que só pertence aos dois lutadores na área de combate, eu como professor ou amigo prefiro ser apenas um observador. Muitas vezes vejo pessoas ao meu lado assistindo as lutas alteradas, insatisfeitas por algum motivo. Penso porque não entram no campeonato em suas respectivas categorias e mostram como se faz? Escuto gritarem críticas ou ordens como se fosse fácil o aluno/lutador executar naquele momento. Alguém conhece um atleta que gosta de perder, ou que ganhar ou perder seja a mesma coisa? Será que algum lutador está ali para servir de saco de pancada do outro? Minhas observações eu guardo para comentar depois, para corrigir as falhas e aprimorar seus pontos fortes. Ganhar sempre é melhor, mas se acontecer a derrota ela deve servir para refletir no erro. Creio que se deve torcer, gritar frases de incentivo, avisar questão de tempo. Mas não para ditar a rotina do lutador, passo a passo. Até por que o oponente também estará escutando e pode surpreender num contragolpe.
Já vi algumas vezes o atleta lutando naquele momento, fazendo sinais e pedindo calma aos seus amigos ou ao professor que o assistia. Eram tantos gritos que estavam perturbando sua rotina. Vejo a hora da luta como um momento que o lutador deve estar conectado nele mesmo. Pensando e reagindo de acordo com a dinâmica da luta e com as suas habilidades. Creio ser muito mais interessante para ele como um crescimento e auto-avaliação do que quase ser um robô seguindo ordens de quem está do lado de fora. Isso é apenas a minha opinião que não tem a menor pretensão de ser uma lição para ninguém, apenas uma reflexão para quem está do lado de fora. Aos competidores sempre temos de incentivar e nós como professores aproveitarmos o momento para observações e depois na academia fazer uma análise para correções e ajustes visando o aperfeiçoamento de nossos atletas.Luiz Dias, Líder da GAS JJ

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