Uma pessoa comum, de repente decide praticar uma arte marcial, vai até uma academia e se depara com inúmeras possibilidades. Boxe, Judô, Karate, Aikido, Kung Fu, Muay Thay, entre outras, mas por ser fã de lutas, e desde pequeno gostar de ver os eventos como Pride, UFC etc.. que na época chamados de “vale-tudo”. Essa pessoa decide praticar Jiu-Jitsu!
Muitas vezes, sem muito saber do que se trata o jiu-Jitsu, apenas tendo na consciência que os “heróis” daqueles eventos que assistia (Rickson, Royce, Minotauro), eram especialistas neste arte, essa pessoa decide comprar o kimono e começar a frequentar as aulas. E essas primeiras aulas são apenas uma “ambientação”, servem apenas para dar um “norte” para o iniciante, posições básicas, postura, movimentação, são coisas que estudante aprende, e que servirão de base para toda a continuação do ensinamento. O aluno muitas vezes inocente e não tendo a mínima noção do que é a arte suave, por sua vez, depois de aprender como se aplica uma “americana na montada”, tem a sensação de que pode enfrentar de igual pra igual um lutador campeão dos pesos pesados.
É neste momento então, que depois de 3 ou 4 aulas, o professor da academia, o convida para treinar, ou seja “dar um rola’. O aluno por sua vez, todo empolgado para colocar em ação “todas” aquelas técnicas que aprendeu, se coloca prontamente em posição de combate. O professor, da uma olhada para o outro canto da sala, para aquele aluno pequeno e franzino, que deve pesar uns 15 quilos a menos, mas que em sua faixa, embora ainda branca, constam 4 graus. O aluno franzino começa a caminhar em direção a posição de treino, enquanto o primeiro aluno, sem perceber que o pequeno e franzino companheiro está na iminência da troca de faixa, fala a si mesmo…
– O professor deve estar maluco!, vou acabar destrocando esse nanico!
ledo engano, o rola começa, e com 15 segundos o franzino “pega” o braço do companheiro, o pensamento do aluno é algo parecido com:
– Pura Sorte!!, não vou mais dar mole pra esse cara não, agora é pra valer!….
É então que ele parte pra cima com todo o ímpeto, e o franzino, tentando controlar a respiração e com toda a calma, raspa e monta e finaliza, aplicando um estrangulamento na montada.
E assim, se passaram os 5 minutos de treino, em que o franzino embora tenha chegado cansado ao final do rola, finalizou o companheiro mais de 10 vezes seguidas. Enquanto isso o aluno iniciante, sem conseguir respirar direito, tem a impressão de que foram os 5 minutos mais longos da sua vida..e ainda incrédulo com o que aconteceu, começa a ter um pouco de noção de até onde pode chegar a arte suave.
Desta maneira, é que os outros treinos acontecem, sempre treinando com pessoas diferentes, uns com mais experiência, outros com menos, e é assim que o aluno começa a gostar de jiu-Jitsu, aquilo que era pra ser um hobby, torna-se um vício!. Em casa, na rua, no trabalho, o aluno não vê a hora de ir para o treino, ir para aquele lugar onde o filho chora e a mãe não vê!, ir para que aquele lugar, que como diria Wallid “é tempo ruim o tempo todo”, mas apesar disso tudo é um dos poucos lugares que ele se sente bem!. É lá que ele vai encontrar sua família do tatame, sim, isso mesmo, Família!, sua equipe de jiu Jitsu se torna sua segunda família, e é com ela ele tem momentos bons, momentos ruins, muitos de seus amigos de fé são feitos ali mesmo, no tatame. Ela com o passar do tempo sua equipe se torna algo bom e agradável, pois todos estão com o mesmo objetivo, ninguém está ali por obrigação, ou por que não tem nada mais interessante pra fazer.
O destino desse aluno, que começou meio por acaso dentro da arte suave, fica a critério da sua imaginação, podendo ele ser um competidor vitorioso, um professor, ou simplesmente um cidadão comum!, mas de uma coisa você por ter certeza, ele aprendeu a respeitar as pessoas, seja essa pessoa, homem ou mulher, jovem ou idoso. Hélio Gracie, um dos grandes patriarcas do jiu-Jitsu, dizia que o jiu-Jitsu foi criado para ajudar principalmente os pequenos e franzinos, com todo o respeito ao grande professor, eu vou um pouco mais longe, e parafraseando um grande guerreiro meu amigo, encerro esse texto dizendo: “O Jiu-Jitsu é para todos, mas não é para qualquer um!” Oss!
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